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sábado, fevereiro 20, 2010

Promessas de não crescer.

Ali atrás daquela mesa há, sentada num canto, uma menina, que chora enquanto seus pais vão para o trabalho e a deixa sozinha com a irmã mais velha. Em seus braços tem uma boneca de pano, com caracóis loiros de anjo e sorriso interminável; seus olhos de botões são os únicos que reparam e compreendem o sofrimento da criança.

Enquanto a irmã fecha-se no quarto para falar ao telefone, a criança continua apertando a sua única amiga, como se na força daquela abraço se dispersasse sua angústia. Sentia falta dos pais, que trabalhavam tanto que ela sentia-se esquecida, trocada. Sua inocência não deixava-a ver que faziam isso por dinheiro, e talvez para lhe dar uma vida melhor; a única coisa que sua mente infantil entendia é que eles não lhe davam tanto carinho quanto ela precisava.
A noite, quando seus pais chegavam, sorria e corria para eles em busca de atenção, em certas noites eles estavam muito irritados para sequer repararem nela, que retornava para seu canto agarrada à sua amiga muda. Entre soluços prometia a boneca que nunca iria crescer, e pedia promessas para que esta também continuasse sempre daquela idade; e as duas brincariam para todo o sempre, seriam sempre pequenas e felizes.
Hoje essa cena é apenas um brilho nos olhos de uma moça que trabalha sentada no escritório todos os dias, a menina agora está guardada dentro de um porta-retratos, encima da mesa. A mulher olha-a com nostalgia, sentindo um calor alegre em seu coração. Abrindo a gaveta pega a antiga boneca, amarelada com o tempo, sem alguns caracóis loiros, mas com aquele sorriso que não se estingue.
- Você foi a única que seguiu a promessa...
E abraçou-a chorando de infelicidade. Mas por um instante, enquanto escorriam aquelas lágrimas, ela voltou a ser somente a menina e sua boneca. Somente. Inocentemente. Tristemente. Eternamente.
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9 Opiniões:

Esther Saldanha disse...

Li num certo livro uma vez que dizia que a idade não é fixa, sim relativa. Quantas vezes não somos por dentro inocentes em nossos pensamentos infantis, ou agimos sem pensar e nos sentimos como uma criança mal criada de 7 anos.
Quando cai sobre nós a tristesa, a saudade ou a melancolia somos transportados à uma outra era, uma era dentro de nós que sempre vive e que pode ser esquecida, mas nunca deixada. Uma era onde voltamos a ser uma simples criança.

Parabéns pela obra, ficou realmente tocante.

BLOG disse...

muito legal XD

Macaco Pipi disse...

É UMA ETERNA CRIANÇA!

Cabral disse...

hehehe...que blog singeloooo!!! ameiii

luiz scalercio disse...

nossa bellissimo
texto gostei
muito.

Pedro Novaes disse...

Precisamos dar mais atenção a quem precisa!

Texto maravilhoso!! ^^

Parabéns pelo blog, passarei por aqui mais vezes!

Obrigado por comentar no meu post! :D

http://pedrolusi.blogspot.com/

Vestibulando disse...

Parabéns pelo texto.
Compreendemos a essência dele, a atenção que deixamos de dar, os simples gestos que nos fazem falta muitas vezes, sem que os outros percebam.

Simples e significativo.

Parabéns pelo texto.
Iremos lhe visitar mais vezes.

Visite o nosso blog
www.blog.maisestudo.com.br


Abs

Mais Estudo.

Moderador disse...

sentimento triste, mas uma realidade, parabens.

http://nervozero.blogspot.com/

Antônio Marlos disse...

Esse é um sentimento muito melancólico, assim como você falou.

Velho, é muito triste olhar para o passado e querer voltar.

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